Quando o produto é comprado “a distância”, ou seja, pela internet, por telefone ou mesmo pelo correio, o consumidor tem um “cooling period”, um período para devolver sem ter que apresentar qualquer motivo. Esse período normalmente é de sete dias úteis, que começam a ser contados a partir da data da entrega do produto e não a partir do dia em que foi pago ou encomendado. Portanto, assim que o produto é entregue, ele pode ser devolvido dentro de sete dias úteis. O reembolso deve ser feito em no máximo 30 dias. Caso não haja nenhuma especificação no contrato, o comerciante não tem obrigação de pagar pelo custo da postagem do serviço e pode descontar o custo do despacho do reembolso. Por isso se você não está certo de que realmente vai ficar com um produto, leia todas as cláusulas (“terms and conditions”) do contrato e lembre-se de remeter de volta registrado e guardar o recibo do correio, pois se o artigo não chegar de volta ao vendedor, ele não tem obrigação de reembolsar o cliente. O direito de devolver durante o “cooling period” não se aplica a alguns produtos, como por exemplo flores, alimentos perecíveis ou CDs e DVDs cujo selo tenha sido rompido ou retirado.


Se o artigo tiver algum defeito, a lei não especifica um prazo para devolução, diz apenas que o produto deve ser devolvido em um período de uso razoável. O Sale of Goods Act determina que o produto precisa ter qualidade satisfatória e adequado para ser usado como foi descrito. Se não preencher essas condições, o consumidor não é obrigado a aceitar que seja consertado e caso o comerciante queira encaminhar o caso ao fabricante, não aceite. Várias empresas costumam dizer que a responsabilidade é do fabricante, mas mesmo que haja falha na fabricação, o acordo é feito entre o comerciante e o consumidor, quem tem que se entender com o fabricante é a loja ou o site, e não quem comprou o produto. Como a lei não especifica o prazo para que o artigo seja devolvido, se você perceber que está sendo enrolado, apresente sua reclamação por escrito. Quando o Sales of Goods Act é mencionado numa carta, o comerciante percebe que o cliente conhece seus direitos e, normalmente, passa a respeitar a lei. A reclamação feita por e-mail ou fax não tem o mesmo peso que uma carta registrada pelo correio, essa é a forma que produz resultados mais rápidos e a mais fácil de ser comprovada que a reclamação foi feita. No site www.consumerdirect.gov.uk você encontra modelos de cartas em inglês, que podem ser copiados, basta adaptar os dados para a sua situação. Se estiver sem acesso à internet, você pode ligar para o Consumer Direct e ser atendido por telefone: 08454 04 05 06.


No caso de presentes, se você quer se desfazer de algo que ganhou, guarde a embalagem com cuidado. Se o artigo foi comprado pela internet e foi entregue em bom estado, depois de sete dias úteis a possibilidade de trocar ou devolver é remota. Mas se foi comprado em uma loja, você pode pedir o recibo para a pessoa que deu o presente. Para evitar constrangimento, diga que ganhou algo igual ou muito parecido de outra pessoa com quem você não tem tanta intimidade para pedir o recibo. Com o recibo, embora não sejam obrigadas, muitas lojas trocam presentes em boas condições por outros artigos. Mesmo sem recibo, vale a pena tentar. A possibilidade é menor, mas algumas lojas permitem que o artigo seja trocado por algo que você goste.

Mas se você acha embaraçoso incomodar a pessoa que deu o presente, a solução é vender através de sites como Gumtree.com, PlayTrade, Amazon ou Loot.com. Anuncie o artigo nos quatro e espere pela melhor oferta. O Gumtree é extremamente popular, mas é também visado por vigaristas, portanto nada de aceitar cheque pré-datado ou qualquer forma duvidosa de pagamento. Se estiver tentando vender algo de valor, marque o encontro com o comprador em um lugar seguro. Uma outra opção é leiloar no eBay, onde é possível também vender por um preço fixo. A taxa pela venda de um artigo de £10 é em média £1.70, mas varia conforme o produto. O eBay contém uma lista de recomendações para que o vendedor não seja enganado por impostores, se você ainda não sabe como funciona o site, leia atentamente..


Se nada funcionar, a opção é reciclar ou doar a algum estranho. No site www.recycle.co.uk você pode anunciar o artigo gratuitamente em grupos de internautas da sua área. Basta digitar seu código postal para se inscrever e oferecer o produto para que alguém das redondezas venha buscar logo e você enfim fique livre do presente.

 

Tesco ou Sainsbury’s?
Os grandes supermercados têm as melhores ofertas para produtos alimentícios, mas são acusados de reduzir os preços às custas dos agricultores e fazendeiros que são pressionados a aceitar preços inferiores para fechar contratos. Além da mão-de-obra barata, existe também a questão do meio ambiente. Em 2008, o atum enlatado do Tesco, por exemplo, foi indicado pelo Greenpeace como o menos recomendável para quem se preocupa com a preservação dos mares. Ideologias à parte, mesmo sob o ponto de vista meramente financeiro, é bom não se entusiasmar muito quando se vê o logo do Tesco na fachada de um supermercado. Por ter a maior rede de supermercados do país, o Tesco geralmente oferece os preços mais baixos, mas o mesmo não se aplica à rede Tesco Express, que pertence ao mesmo grupo e usa o mesmo logo, mas pode cobrar quase o dobro do consumidor desavisado. Um pacote de tomates orgânicos que custa £1 no Tesco, sai por £1.94 no Tesco Express, quase 100% mais caro.
O Sainsbury’s segue a mesma estratégia do concorrente com a rede Sainsbury’s Local, ou seja, a palavra “local” no logo indica que naquela filial você pode pagar duas vezes mais do que no tradicional supermercado. Uma reportagem da BBC revelou que a mesma garrafa de vinho Gallo que é vendida por £4.49 no Sainsbury’s custa £8.99 no Sainsbury’s Local. A diferença entre um pacote com quatro rolos de papel higiênico também é significante: £1.65 no Sainsbury’s e £2.45 no Sainsbury’s Local. Não é nada, não é nada, mas se você quiser economizar ao abastecer sua casa para o Natal, não confunda o supermercado com as filiais locais.


Cartão de Crédito, de débito, paypal ou store card? As diferenças podem parecer sutis, mas são enormes…
Na hora de pagar uma conta, muitas empresas cobram uma pequena taxa para aceitar cartão de crédito e é tentador optar por cartão de débito ou pagar via PayPal para economizar umas libras. O que muita gente não sabe é que de acordo com o Consumer Credit Card Act 1974, quando você paga qualquer conta de £100 a £30 mil com cartão de crédito britânico, se algo der errado a empresa que emitiu o cartão de crédito é tão responsável pela qualidade do produto ou serviço prestado quanto o comerciante ou o fabricante. Em época de recessão este detalhe é importante, pois muitas lojas vão à falência e se por exemplo você comprar um produto pela internet de um comerciante que não entregar, vai ser muito mais fácil reaver o dinheiro.


E quem paga com cartão de débito, tem alguma garantia? Na teoria sim, mas na prática a situação fica bem mais difícil: existe um sistema de reembolso que poucas instituições financeiras reconhecem. Chama-se “Chargeback” mas não se surpreenda se você pagar com cartão de débito por algo que não esteja em perfeito estado, a loja falir e quando você mencionar “Chargeback” o seu banco disser que isso não existe.


O Paypal parece muito prático, mas não oferece proteção nenhuma para quem for lesado por um comerciante ou prestador de serviço. Na propaganda eles dizem que o PayPal é o método de pagamento mais seguro porque o consumidor não precisa fornecer os dados do cartão de crédito online. Pode ser seguro sob o ponto de vista de fraude na internet, mas apesar do PayPal debitar o seu cartão de crédito, a partir do momento em que você usa esse método intermediário de pagamento, você perde a proteção que é garantida por lei a quem paga diretamente com o cartão de crédito.
Existem ainda os store cards, cartões fornecidos por lojas de departamento. Eles são tentadores pelo seguinte motivo: as lojas que os emitem oferecem descontos para quem pagar as compras com eles e você normalmente ganha pontos conforme usa o cartão, podendo trocar esses pontos por vouchers ou descontos maiores. Mas a maioria dos consumidores só têm a perder com esses cartões. Eles só oferecem vantagens para quem paga a conta do cartão à vista ou dentro do prazo em que não são cobrados juros (normalmente dois meses após a compra). Quem paga o saldo do cartão em prestações, é penalizado com uma taxa de juros absurda, que pode chegar até 30%. Se você usar o cartão da TopShop por exemplo, e fizer na loja uma compra de £100, vai ganhar 10% de desconto e pagar apenas £90. Só que se não pagar o cartão quando receber a conta, depois de 56 dias a taxa de juros é de 29,9% e em vez de estar ganhando £10 de desconto, você na verdade vai pagar £116.91 pela compra, bem mais do que se tivesse usado um cartão de crédito normal. Se você já caiu nessa armadilha, a solução é obter um novo cartão e transferir seu saldo para minimizar a perda.